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Campeonato Mundial de Karatê 2016 em Linz

Notícias do globo esporte (KARATE)

Brasil no top 5, oito categorias e luta imaginária: conheça o karatê olímpico

Utilizado como modo de defesa pessoal, esporte faz parte dos Jogos Pan-Americanos e é dividido nos naipes kumitê e kata, onde não há luta direta entre os dois caratecas


Arte milenar, modo de defesa pessoal e agora esporte olímpico. Incluído no cronograma dos Jogos de Tóquio em agosto do último ano, o karatê tem mais de 250 mil praticantes registrados no Brasil, país que ostenta o status de atual quarto colocado no ranking da Federação Internacional (World Karate Federation). Para a Olimpíada de 2020, 

- Desde que o karatê foi incluído nos Jogos Olímpicos tivemos um aumento grande no número de filiados. As perspectivas para 2017 são bem melhores. Estamos buscando patrocinadores para custearem as despesas de viagens e competições, algo que ainda não temos. Temos algumas conversas caminhando e esperamos ter novidades em breve - afirmou o presidente da CBK, Luiz Carlos Cardoso do Nascimento.

Criado no século XVIII em Okinawa, ilha entre o Japão e a China, o karatê engloba diversos golpes, como chutes, socos e joelhadas, sendo que as forças precisam ser controladas, isto é, um soco acertado em cheio no adversário pode gerar uma punição ao autor do golpe. As pontuações têm o mesmo nome das do judô: yuko (1 ponto), waza-ari (dois) e ippon (três). Diferentemente do judô, o ippon não termina a luta, que só acaba antes do tempo regulamentar quando um atleta abre oito pontos de vantagem.
- O soco no rosto tem o controle, a pontuação vale pela técnica, não pela força. Não pode machucar o adversário - explicou o presidente da CBK.

No kumitê, as lutas das mulheres têm duração de dois minutos, enquanto a dos homens, três minutos. No kata, os atletas se apresentam individualmente para os juízes, fazendo as performances para receber notas. Nas apresentações, os karatecas precisam mostrar técnica, velocidade nos movimentos, controle dos golpes e até o uniforme tem que estar perfeito. Se a faixa, por exemplo, afrouxar, o atleta perde pontos. 

MODALIDADE DISTRIBUIRÁ 32 MEDALHAS EM TÓQUIO

Dentre as oito categorias olímpicas, seis são do kumitê, a luta tradicional. Entre os homens, as disputas serão nas divisões de peso até 67kg, até 75kg e acima de 75kg. Já as mulheres estarão divididas nas categorias até 55kg, até 61kg e acima de 61kg. No kata, a divisão será apenas por sexo, com uma categoria masculina e outra feminina. Como haverá dois bronzes por divisão de peso, o karatê dos Jogos Olímpicos de Tóquio distribuirá um total de 32 medalhas.
Os eventos válidos para a corrida olímpica começam em 2018. A CBK usará 2017 para definir a seleção que disputará os principais torneios internacionais. Até 2016, a entidade costumava 

selecionar quatro atletas por categoria. A ideia da Confederação Brasileira é aumentar esse número para estimular a competitividade interna.


- Em março, vamos fazer a nossa seletiva de 2017. A ideia é trabalhar com mais do que quatro atletas por categoria na seleção. Queremos estimular mais a competitividade. Sentimos muitos atletas acomodados no último ano, principalmente no Mundial. Nosso pensamento maior é elevar ainda mais o nível da modalidade no país - comentou Luiz Carlos.

O último Mundial de Karatê aconteceu em outubro, na cidade de Linz, na Áustria. O Brasil ficou na nona colocação geral e apenas uma atleta subiu no pódio. A responsável foi Valéria Kumizaki, que venceu cinco lutas na categoria até 55kg, mas acabou superada pela francesa Emilie Thouy na disputa pelo ouro. 

- Todo mundo sabe que é muito difícil viver do karatê. Investi toda minha vida nessa carreira por essa medalha e agora aconteceu. Lógico que fui em busca do ouro, mas estou muito feliz com a prata - disse Valéria, na ocasião da conquista.

Vinicius Figueira (à direita) está entre os melhores caratecas do mundo (Foto: Divulgação/WKF)

Outro brasileiro que disputou o Mundial com chances de subir ao pódio foi Vinícius Figueira, que chegou à Áustria na liderança da categoria até 67kg, mas ficou apenas em quinto. No total, a delegação brasileira levou 10 atletas para o campeonato, cinco no feminino e cinco no masculino.

BRASIL EM QUARTO NO RANKING INTERNACIONAL

Apesar do desempenho abaixo do esperado no Mundial e das queixas dos principais karatecas quanto ao pouco apoio, o Brasil é o atual quarto colocado no ranking da World Karate Federation (WKF), com um número recorde de 20 atletas no top 10 das mais diversas divisões de peso entre competidores sênior (adulto), sub-21, júnior e cadete. Atualmente dois brasileiros ocupam o topo do ranking entre os adultos. São eles: Valéria Kumizaki (até 55kg feminina) e Douglas Brose (até 60kg masculina).
Campeão mundial em 2010 e 2014, o gaúcho radicado em Florianópolis Douglas Brose foi um dos 

principais articuladores da entrada do karatê no cronograma olímpico. Integrante do Comitê Internacional dos atletas, ele esteve junto da comitiva que votou a inclusão de novas modalidades, em agosto do ano passado, durante os Jogos Rio 2016.

- O karatê foi indicado pelo Comitê Olímpico de Tóquio, que indicou a nossa modalidade como um dos esportes que eles gostariam que fosse incluído na edição de 2020. A inclusão foi um marco na nossa história e pode ter sido um divisor de águas. Batemos três vezes na trave. Agora vamos pensar em 2020, mostrar um bom trabalho nesses próximos anos, para quem sabe seguir em 2024, quando terá outra votação para a inclusão de esportes na Olimpíada - destacou. 

QUEM É FERA NO KARATÊ MUNDIAL?

Ao contrário do que muitos pensam, o Japão não reina absoluto no karatê. Os principais nomes da modalidade são turcos, embora os nipônicos também estejam entre os melhores. Enes Erkan, campeão mundial do peso pesado em 2012/14 é a grande referência do esporte atualmente. Outros países de destaque são França e Venezuela, que completam o top 5 da WKF. Um dos objetivos da CBK em 2017 é manter o Brasil entre os cinco melhores do mundo.

- Esperamos um investimento maior agora por sermos olímpicos. Porém, sabemos da realidade de outros países que também terão maiores investimentos. A perspectiva é que cresça o nível dos competidores e aumente a nossa dificuldade de permanecer entre os cinco melhores. Chegar no top 5 é motivo de muito orgulho e fruto de muito trabalho e dedicação de todos - comentou o técnico da seleção brasileira, Ricardo Aguiar. 

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